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Baleias-francas e o espetáculo da natureza: onde e quando vê-las no litoral catarinense

Baleias-francas encantam moradores e turistas que visitam o Sul da Ilha de Santa Catarina de julho a setembro,

Em meio à imensidão do mar, elas surgem imponentes. Nadam tranquilas nas águas quentes e rasas do litoral brasileiro – e principalmente o catarinense. Soltam enormes esguichos de água, saltam alguns metros sobre as águas e, muitas vezes, atravessam os mares acompanhadas de seus “pequenos” filhotes que já nascem com até 5 toneladas. O espetáculo é lindo e atrai milhares de pessoas todos os anos ao litoral catarinense. A observação das baleias em cidades de Santa Catarina, e especialmente no Sul de Florianópolis, já virou tradição por aqui. Separamos algumas dicas de quando e onde você pode melhor vê-las, bem como várias dicas e curiosidades desses mamíferos que encantam por onde passam.

Baleias-francas encantam moradores e turistas que visitam o Sul da Ilha de Santa Catarina de julho a novembro.

Qual é a melhor época para avistar as baleias em Santa Catarina?

De julho a novembro, sendo os pontos altos entre a segunda quinzena de agosto e a primeira quinzena de outubro, quando um maior número de baleias costuma estar na região, permanecendo por vários dias nas enseadas. É durante o inverno que as baleias estão mais presentes no litoral sul brasileiro. Isso por que todos os anos centenas de baleias-francas deixam as águas geladas da Patagônia e vêm dar à luz e amamentar seus filhotes na costa catarinense, que tem uma água mais quentinha e propícia. Os filhotes já nascem bem grandinhos: têm entre 4 e 5 metros e pesam quase 5 toneladas! A costa brasileira têm águas mais quentes e rasas, onde as mamães baleias-francas se sentem mais confortáveis para dar à luz aos seus filhotes, longe de predadores que espreitam em águas profundas. Em novembro as últimas baleias começam a deixar as águas de Santa Catarina em busca de alimentos em alto mar, recomeçando o ciclo anual desses mamíferos.

 

Quais são os melhores lugares para avistar as baleias?

Há diversos pontos de observação espalhados pelo litoral de Santa Catarina, principalmente em Imbituba, Garopaba, Laguna e Florianópolis. Quando visitam nosso litoral, elas adoram ficar junto à praia, logo após a arrebentação das águas, por isso são facilmente avistadas da orla por nós. Lugares altos são naturalmente os melhores para conseguir avistar as baleias. Em Florianópolis, o Sul da Ilha é especialmente propício para a observação de baleias, em praias como o Morro das Pedras, Praia da Armação, Matadeiro, Lagoinha do Leste, Pântano do Sul e Açores. Mas como qualquer fenômeno da natureza, o encontro com as baleias não tem hora nem local marcados. É preciso um pouquinho de paciência para conseguir avistá-las!

 

Quais são as características das baleias-francas?

Durante todo o ano, é possível avistar baleias de diversos tipos no nosso litoral, principalmente as mink, as jubarte e as baleias-francas. Com expectativa de vida de até 80 anos e podendo pesar até 60 toneladas, as franca podem atingir até 17 metros de comprimento. As fêmeas geralmente são maiores do que os machos e são elas que vêm todos os anos ao litoral sul para acasalar, dar à luz ou desmamar o filhote. Por isso, geralmente avistamos pares de baleias no mar, com mães e filhotes nadando em paralelo à costa.

baleia-franca tem um comportamento diferente das suas primas jubarte. Elas vêm da Antártica e costumam ficar especialmente nas praias de Santa Catarina. Muito curiosas, chegam bem perto da areia e dos barcos. Por esse motivo, acabaram virando alvo fácil das caçadas de alguns anos atrás e quase entraram em extinção.

Nadadeira facilita o reconhecimento das baleias-francas na água.

Algumas curiosidades:

  • O coração de uma baleia pode pesar até 500kg – o tamanho de um carro popular;
  • Elas boiam perto da superfície da água enquanto dormem em pequenos intervalos durante o dia;
  • A gestação da baleia franca é de 12 meses;
  • Ao ter os seus filhotes em águas brasileiras, ficam por um período de quatro meses ensinando sua cria a dar os primeiros passos de vida;
  • Um filhote de baleia-franca pode mamar de 200 a 300 litros de leite por dia;
  • Entre os meses de dezembro e abril as baleias-francas permanecem em águas próximas à Antártica onde se alimentam de pequenos crustáceos, principalmente o krill.

Conheça mais sobre as características das baleias-francas.

 

Dicas para a observação e para reconhecer as baleias

As baleias-francas são facilmente reconhecidas exatamente pelo que não têm: a nadadeira dorsal. Esta é única espécie que não tem a nadadeira nas costas. Além disso, elas têm calosidades brancas (são piolhos de baleia que acompanham o cetáceo a vida toda). Como as baleias-francas são principalmente pretas, é bom ficar atento na nadadeira peitoral em formato trapezoidal, normalmente exposta quando elas saltam, viram de lado ou de barriga para cima. Elas também fazem um veloz borrifo de água em forma de “V”.

 

Dicas de Observação

  • Para ver as baleias a partir da terra, procure locais elevados e leve binóculos (10×50 são os melhores);
  • Observe-as sem perturbá-las;
  • Previna-se contra o frio e os ventos com roupas adequadas;
  • Conheça e respeite a cultura das comunidades locais.

 

Dicas de Reconhecimento

Borrifo: tem formato de “V”. Formado pelo ar quente expelido dos pulmões em alta velocidade;

Calosidades: exclusivas da espécie, são espessamentos da pele, cobertos por ciamídeos (piolhos de baleia), localizados na cabeça, como uma impressão digital, permitindo sua identificação individual;

Cauda: cauda toda preta, larga e pontuda;

Dorso: são facilmente avistadas da praia e reconhecidas pela ausência de nadadeira dorsal;

Nadadeira peitoral: em formato trapezoidal, é frequentemente exposta quando a baleia salta, vira de lado ou de barriga para cima;

Salto: filhotes e adultos são vistos saltando pela região.

Borrifo em forma de “V” é uma das dicas para reconhecer as baleias-francas.

Projetos de proteção às baleias-francas

Com a proibição das caças às baleias, surgiram vários projetos para garantir a sobrevivência delas no litoral catarinense. A principal organização não governamental que monitora e ajuda a proteger os animais através de pesquisa científica e educação é o Projeto Baleia-Franca, criado na década e 1980. Dentro dele, surgiu ainda em 2015 o Instituto Australis de Pesquisa e Monitoramento Ambiental para auxiliar na manutenção das atividades do Projeto Baleia-Franca.

Eles desenvolvem várias atividades buscando recuperar a população de baleias no Atlântico Sul. Foi assim que surgiu a APA (Área de Proteção da Baleia-Franca), que vai do sul de Florianópolis até a divisa do Rio Grande do Sul, na praia do Rincão. A Unidade de Conservação abrange 130 km de costa, lagos, lagoas, rios e conjunto de dunas administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Há ainda em Imbituba o Museu da Baleia, situado na praia do Porto e instalado no prédio histórico denominado “Barracão Manoel Rosa” em homenagem a um dos últimos baleeiros de Imbituba e promotor ativo da educação pública sobre a história da caça e a conservação das baleias-francas. Tombada como Patrimônio Histórico Municipal, a última estação baleeira do sul do Brasil, que fechou as portas em 1973, foi restaurada para abrigar o museu, que conta a história da matança das baleias e da luta pela sua proteção.

 

Um pouco de história

Desde o Brasil Colônia as baleias eram alvo de caça no litoral do país. A caça permaneceu essencialmente costeira, estendendo-se da Bahia ao Sul até Santa Catarina. Hoje, praias de Florianópolis, como a Armação e o Matadeiro, levam esses nomes em referência às épocas de caça às baleias.

O consumo da carne nunca foi o objetivo das capturas de baleias nas Armações da Costa Sul do Brasil. Aproveitava-se a camada de gordura, que nas baleias francas era espessa, para a produção de óleo destinado à iluminação, lubrificação e fabricação de argamassa utilizada em igrejas e fortalezas. As “barbatanas” eram vendidas para à fabricação de espartilhos. A perseguição às baleias era feita em lanchas (“baleeiras”, cujo formato até hoje é comum aos barcos de pesca artesanal catarinenses).

Em 1830 o número de baleias-francas havia declinado tanto que a área foi abandonada pelos baleeiros, que passaram a navegar então para o Pacífico à procura de novas oportunidades para o extermínio sistemático dos grandes cetáceos. Após um período de inatividade, no início do século 20 as povoações de “Lagoinha” (praia da Armação, Florianópolis), Garopaba e Imbituba retomaram a matança de forma rudimentar e esporádica, as duas primeiras até a década de 1950 e a de Imbituba, até 1973, em violação dos acordos internacionais que desde a década de 1930 conferiam proteção integral às baleias-francas.

Em 1973 a captura de um animal medindo cerca de 14 metros de comprimento marcou o fim da indústria baleeira catarinense para sempre. A espécie mergulhou num absoluto limbo, sendo por muitos considerada extinta em águas brasileiras. Relatos de aparecimento de animais encalhados posteriores a essa data, no final da década de 1970, eram considerados eventos isolados e “não confirmados” pela comunidade científica e não se reconhecia, então, que pudesse haver ainda uma população “brasileira” sobrevivente de baleias-francas. Até que elas voltaram a ser avistadas com frequência na década de 1990. A caça no litoral brasileiro deu espaço a uma atividade muito mais em sintonia com a natureza e o respeito aos animais: a observação do lindo espetáculo proporcionado pelas baleias-francas.

Felipe Coin Bacichette
Felipe Coin Bacichette
Felipe fornece as informações técnicas e mercadológicas para a produção de todo o conteúdo do Blog Santa Ilha. É administrador de empresas, especialista no mercado imobiliário e apaixonado pela arte de entender e atender as pessoas. Gaúcho de Caxias do Sul, foi lá que iniciou a vida de empreendedor e adquiriu experiência em grandes marcas do mercado imobiliário. Mora em Florianópolis-SC desde 2013, onde fundou a Santa Ilha Imóveis e encontrou o equilíbrio entre a realização profissional e a qualidade de vida. É casado e tem uma filha que já nasceu com os pés na areia ; )

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